
Mariana sonha voltar a desenharMariana Alves Rodrigues, de 7 anos,perdeu o braço depois de uma quedae de ser atendida na Prefeitura
Tratamento lento e complicado
Tratamento lento e complicado

Edição: 626 Data:08/05/2008 hoje notícias
Sindicância da sms descarta erro médico
Bruna Mastrella e Gustavo Ponciano
Resultado de auditoria da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) divulgado ontem pelo secretário de Saúde, Paulo Rassi, em seu gabinete, afirma que não houve erro médico durante atendimento prestado à menina Mariana Alves Rodrigues, 7, na rede municipal de saúde. A criança teve o braço direito amputado, no dia 28 de abril, após uma queda e ter o membro engessado no Centro de Referência em Ortopedia e Fisioterapia (Crof), cinco dias antes da amputação.De acordo com Rassi, os procedimentos realizados no Crof, que é da rede municipal de saúde, foram corretos e que a amputação do braço da criança foi “um infortúnio da própria patologia”, segundo ele, já registrado na literatura médica. O secretário disse que o próprio edema (inchaço) do ferimento causou a compressão dos vasos e tecidos que acarretaram a necrose que obrigou a retirada do membro.Ao ser questionado pela reportagem se os dois dias em que Mariana passou com o gesso no braço contribuíram para a compressão, o secretário municipal de Saúde se restringiu a dizer que o atendimento do Crof foi normal e que os procedimentos seguiram os padrões internacionais para tratamento de fratura supracondiliana. Rassi disse que o gesso foi aplicado para evitar desvio da fratura e uma futura intervenção cirúrgica para correção.INADEQUADOMédicos especialistas em ortopedia consultados pela reportagem, que preferiram não se identificar, discordam do primeiro procedimento feito em Mariana no Crof. Eles acreditam que o engessamento do braço não é o recurso mais adequado para tratar um cotovelo trincado, mas sim a colocação de uma tala, que evita compressão de nervos em caso de inchaço. Tal procedimento só foi feito quando os pais da criança a levaram pela segunda vez ao centro de referência, dois dias depois da aplicação do gesso.O secretário também diz que a auditoria constatou que a menina estava com temperatura alta, 39,7°, o que sugere a possibilidade de a criança já estar com algum foco de infecção que teria contribuído para a complicação do quadro da criança. Rassi disse que não havia necrose no braço de Mariana em nenhuma das duas oportunidades em que ela passou pelo Crof.Foram responsáveis pela auditoria, iniciada na sexta-feira, um médico, uma enfermeira e uma assistente social. O secretário disse que a investigação sobre o caso ficou restrita aos prontuários de atendimento de Mariana no Crof e à entrevista com a família da menina. Rassi afirmou que encaminhará relatório da auditoria e cópia das declarações dos pais da paciente ao Conselho Regional de Medicina (CRM), que também investiga o caso.Família se diz surpresa com conclusãoA conclusão da auditoria da SMS foi recebida com surpresa pela família de Mariana. O pai da menina, o autônomo Alessandro Alves Bahia, 29, demonstra inconformismo com o fato de que uma queda, considerada simples, tenha ocasionado uma infecção tão violenta a ponto de forçar a amputação do braço da filha.Embora prefiram não fazer julgamentos, os pais de Mariana não descartam negligência nos primeiros atendimentos prestados. Para eles, ela já apresentava sintomas de um quadro mais grave do que se supunha. “O braço dela estava inchado demais, tanto que ela não parava de chorar de dor”, lembra a costureira Flávia Rodrigues Oliveira, 31, mãe da criança.O diretor-geral do Hugo, Luciano Leão, informou que a unidade não emitirá opinião sobre os atendimentos iniciais prestados à criança. A opinião é compartilhada pelo presidente da Associação dos Hospitais de Goiás (Aheg), o ortopedista Robson Azevedo. Para ele, ainda é cedo para opinar sobre o caso, pois somente laudos mais aprofundados poderão determinar a causa da infecção generalizada (septicemia).Além da auditoria da SMS, o caso está sendo analisado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (CRM), que instaurou uma sindicância que deve ser concluída daqui há 30 dias. Inquéritos também foram instaurados tanto pelo 5º Distrito Policial de Goiânia como pela Delegacia Estadual de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). A titular, Adriana Accorsi, acredita que os procedimentos deverão ser unificados e adianta que os primeiros depoimentos estão marcados para a próxima terça-feira.SuperaçãoMesmo sem tocar no assunto, Flávia conta que a filha já demonstra consciência sobre a ausência do braço. “Perguntei se ela sabia o que tinha acontecido [amputação] e ela disse que sim, mas que não queria falar sobre isso”, revela. Apesar do trauma, ela conta que a filha tem demonstrado boa superação. Emocionada, diz que se surpreendeu ao flagrá-la, ontem, divertindo-se ao colorir gravuras com a mão esquerda. “Acredito que ela vai superar tudo isso mais rápido e melhor que eu”, lamenta. Bastante vaidosa, Mariana não esquece de passar batom e do creme hidratante. Também não passa um dia sem perguntar quando deixará o hospital para ir à escola, em Trindade, onde cursa a 3ª série do ensino fundamental.Além de psicólogos, uma equipe multidisciplinar formada por dez profissionais presta atendimento constante à criança. Apesar de estar consciente, se alimentar e não apresentar mais febre, Mariana ainda está na Unidade de Terapia Intensiva. Mesmo tendo apresentado uma melhora expressiva, seu estado de saúde ainda é considerado grave, pois apresenta resquícios da infecção. Também foi detectada uma retenção de líquido pelo fato de ela não poder se movimentar. Até ontem não havia previsão de alta.
Sindicância da sms descarta erro médico
Bruna Mastrella e Gustavo Ponciano
Resultado de auditoria da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) divulgado ontem pelo secretário de Saúde, Paulo Rassi, em seu gabinete, afirma que não houve erro médico durante atendimento prestado à menina Mariana Alves Rodrigues, 7, na rede municipal de saúde. A criança teve o braço direito amputado, no dia 28 de abril, após uma queda e ter o membro engessado no Centro de Referência em Ortopedia e Fisioterapia (Crof), cinco dias antes da amputação.De acordo com Rassi, os procedimentos realizados no Crof, que é da rede municipal de saúde, foram corretos e que a amputação do braço da criança foi “um infortúnio da própria patologia”, segundo ele, já registrado na literatura médica. O secretário disse que o próprio edema (inchaço) do ferimento causou a compressão dos vasos e tecidos que acarretaram a necrose que obrigou a retirada do membro.Ao ser questionado pela reportagem se os dois dias em que Mariana passou com o gesso no braço contribuíram para a compressão, o secretário municipal de Saúde se restringiu a dizer que o atendimento do Crof foi normal e que os procedimentos seguiram os padrões internacionais para tratamento de fratura supracondiliana. Rassi disse que o gesso foi aplicado para evitar desvio da fratura e uma futura intervenção cirúrgica para correção.INADEQUADOMédicos especialistas em ortopedia consultados pela reportagem, que preferiram não se identificar, discordam do primeiro procedimento feito em Mariana no Crof. Eles acreditam que o engessamento do braço não é o recurso mais adequado para tratar um cotovelo trincado, mas sim a colocação de uma tala, que evita compressão de nervos em caso de inchaço. Tal procedimento só foi feito quando os pais da criança a levaram pela segunda vez ao centro de referência, dois dias depois da aplicação do gesso.O secretário também diz que a auditoria constatou que a menina estava com temperatura alta, 39,7°, o que sugere a possibilidade de a criança já estar com algum foco de infecção que teria contribuído para a complicação do quadro da criança. Rassi disse que não havia necrose no braço de Mariana em nenhuma das duas oportunidades em que ela passou pelo Crof.Foram responsáveis pela auditoria, iniciada na sexta-feira, um médico, uma enfermeira e uma assistente social. O secretário disse que a investigação sobre o caso ficou restrita aos prontuários de atendimento de Mariana no Crof e à entrevista com a família da menina. Rassi afirmou que encaminhará relatório da auditoria e cópia das declarações dos pais da paciente ao Conselho Regional de Medicina (CRM), que também investiga o caso.Família se diz surpresa com conclusãoA conclusão da auditoria da SMS foi recebida com surpresa pela família de Mariana. O pai da menina, o autônomo Alessandro Alves Bahia, 29, demonstra inconformismo com o fato de que uma queda, considerada simples, tenha ocasionado uma infecção tão violenta a ponto de forçar a amputação do braço da filha.Embora prefiram não fazer julgamentos, os pais de Mariana não descartam negligência nos primeiros atendimentos prestados. Para eles, ela já apresentava sintomas de um quadro mais grave do que se supunha. “O braço dela estava inchado demais, tanto que ela não parava de chorar de dor”, lembra a costureira Flávia Rodrigues Oliveira, 31, mãe da criança.O diretor-geral do Hugo, Luciano Leão, informou que a unidade não emitirá opinião sobre os atendimentos iniciais prestados à criança. A opinião é compartilhada pelo presidente da Associação dos Hospitais de Goiás (Aheg), o ortopedista Robson Azevedo. Para ele, ainda é cedo para opinar sobre o caso, pois somente laudos mais aprofundados poderão determinar a causa da infecção generalizada (septicemia).Além da auditoria da SMS, o caso está sendo analisado pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (CRM), que instaurou uma sindicância que deve ser concluída daqui há 30 dias. Inquéritos também foram instaurados tanto pelo 5º Distrito Policial de Goiânia como pela Delegacia Estadual de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). A titular, Adriana Accorsi, acredita que os procedimentos deverão ser unificados e adianta que os primeiros depoimentos estão marcados para a próxima terça-feira.SuperaçãoMesmo sem tocar no assunto, Flávia conta que a filha já demonstra consciência sobre a ausência do braço. “Perguntei se ela sabia o que tinha acontecido [amputação] e ela disse que sim, mas que não queria falar sobre isso”, revela. Apesar do trauma, ela conta que a filha tem demonstrado boa superação. Emocionada, diz que se surpreendeu ao flagrá-la, ontem, divertindo-se ao colorir gravuras com a mão esquerda. “Acredito que ela vai superar tudo isso mais rápido e melhor que eu”, lamenta. Bastante vaidosa, Mariana não esquece de passar batom e do creme hidratante. Também não passa um dia sem perguntar quando deixará o hospital para ir à escola, em Trindade, onde cursa a 3ª série do ensino fundamental.Além de psicólogos, uma equipe multidisciplinar formada por dez profissionais presta atendimento constante à criança. Apesar de estar consciente, se alimentar e não apresentar mais febre, Mariana ainda está na Unidade de Terapia Intensiva. Mesmo tendo apresentado uma melhora expressiva, seu estado de saúde ainda é considerado grave, pois apresenta resquícios da infecção. Também foi detectada uma retenção de líquido pelo fato de ela não poder se movimentar. Até ontem não havia previsão de alta.

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