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sábado, 14 de junho de 2008

VIOLÊNCIA PROLIFERA NAS ESCOLAS!

Crescem as denúncias de violência dentro das escolas

Brigas entre alunos e ameaças a funcionários e professores são cada vez mais freqüentes

Alan Rodrigues e Camila Vieira

Alunos agredidos, professores e funcionários intimidados. Armas e drogas circulando livremente pelos corredores. Grande parte das escolas da rede pública de Salvador está dominada pela violência. O assunto, tema de um encontro ontem no Ministério Público (veja boxe), vem ganhando proporções cada vez maiores a cada nova denúncia de infrações cometidas dentro das escolas. A mais recente de agressão entre estudantes aconteceu esta semana, na escola estadual Manoel Novaes.

O pai de uma aluna, que prefere não ser identificado, denuncia que, na última quarta-feira, uma briga entre dois grupos de alunos rivais terminou em depredação. Um dos alunos tentava escapar de uma briga e pulou as grades que cercam o colégio. Os que o perseguiam começaram a chutar o portão, que veio abaixo.

No dia seguinte na porta do colégio, foi difícil evitar que um estudante fosse linchado por outros alunos. O pai, que relatou esses episódios, conta ainda que já presenciou a venda de drogas na porta do Manoel Novaes e suspeita que alunos freqüentem as aulas com bebidas alcoólicas escondidas nas mochilas.

Na saída dos estudantes, ontem pela manhã, poucos se arriscaram a falar sobre a violência dentro do colégio, limitando-se a relatar casos de briga na quadra, durante disputas de futebol. Mas um deles revelou que uma bomba foi detonada próximo a uma sala de aula na mesma quarta-feira, motivando o cancelamento da festa de aniversário da escola, marcada para ontem.

Assédio criminoso - o motorista Florisvaldo Lago, 50 anos, se viu obrigado a retirar o filho da escola estadual Davi Mendes, depois que um grupo de estudantes tentou, insistentemente, assediá-lo para que se juntasse à “gangue”. “Queriam que ele participasse da desordem, das brigas”, relata Florisvaldo. Mesmo em outro colégio, o filho do motorista ainda tem problemas com os ex-colegas. “Eles ficam cercando meu filho no ônibus quando ele sai de casa, Minha mulher tem que estar sempre acompanhando”, revela.

A diretora da Escola Estadual Raul Sá, Liliane Fosneca, que esteve presente ao encontro no MP, revelou o medo que impera entre alunos, funcionários e professores. Os estudantes não querem ficar até o fim das aulas, professores e funcionários ouvem ameaças e são “orientados” a não falar nada. Segundo Liliane, quando as rondas escolares aparecem na escola, os alunos utilizam um código de sinais para alertar os colegas, que fogem pulando o muro da unidade.

A diretora conta ainda que, no mês passado, duas bombas foram detonadas próximo a salas de aula e no sanitário recém-reformado, uma descarga foi incendiada. “Eles atiram as cadeiras pelas janelas”, denuncia a diretora, que agora tranca as salas e já solicitou à Secretaria de Educação um sistema de circuito interno de TV.

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